Cabeçalho

Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.

Blog

  • Home
  • Blog
  • Dia 7 08/12/2025 - O dia em que o tempo vira altar

Dia 7 08/12/2025 - O dia em que o tempo vira altar

~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~

 

O dia em que o tempo vira altar: o Mistério do 7º dia e o 2026 que você deseja criar

Encerramento nunca é só fim.
Toda vez que algo termina, uma frestinha de começo se abre junto.

Quando sentei para conduzir o último encontro da jornada “Do Caos ao Cosmos – os 7 portais da criação”, eu sabia que não era apenas uma “live de fechamento”. Era um rito de passagem: da história que 2025 escreveu no seu corpo, na sua casa, no seu coração… para o 2026 que você deseja co-criar, e não apenas “aguentar”.

E, para fechar, não poderia ser outro tema: o mistério do 7º dia.
O dia do descanso. Da consagração. O dia em que o tempo vira altar.


Do Caos à Consagração: o caminho em 8 palavras

Antes de chegar ao 7º dia, a gente percorreu uma travessia. Cada encontro ganhou uma palavra–chave, que não é só conceito bonito: é uma porta de acesso para um jeito novo de viver.

  • Dia 0 – O Caos: Coragem
    Coragem de olhar para o que doeu, bagunçou, cansou – sem anestesia, sem desculpa, sem “passar pano”.

  • Dia 1 – Haja Luz: Consciência
    A luz acende, não para nos humilhar, mas para mostrar onde estávamos no automático.

  • Dia 2 – Separar as Águas: Discernimento
    Separar o que é meu do que nunca foi. O que nutre do que intoxica. O que preciso manter do que já venceu a validade.

  • Dia 3 – Terra Firme e Verde: Enraizamento
    Encontrar chão interno, rotinas mínimas, acordos básicos comigo mesma. Só gera fruto quem tem raiz.

  • Dia 4 – Luas e Estações do Tempo: Ritmo
    Sair da tirania do relógio e aprender a diferenciar o tempo da alma do tempo da agenda. Cronos e Kairós, conversando.

  • Dia 5 – Aves e Peixes: Expansão
    Movimento, trocas, rede, circulação de ideias, afetos, recursos. A vida se expande quando algo em nós topa sair da gaiola.

  • Dia 6 – Ser Humano e Autoria: Autoria
    Reconhecer: “A minha vida é uma obra com a minha assinatura.” Ninguém vai assinar no meu lugar – nem mesmo a pior tragédia.

E então, finalmente:

  • Dia 7 – Descanso Sagrado: Consagração
    O momento em que eu paro, contemplo, abençoo. E declaro: “Isso é sagrado para mim.”

Essas oito palavras formam um pequeno mantra para o seu 2026:
Coragem. Consciência. Discernimento. Enraizamento. Ritmo. Expansão. Autoria. Consagração.


O descanso de Deus não é preguiça: é olhar amoroso

Na narrativa da criação, Deus trabalha até o sexto dia. No sétimo, Ele descansa da obra.

Mas não é o descanso de quem está exausto, como nós chegamos no fim de semana.
É o descanso de quem reconhece a inteireza do que foi feito.
É um descanso que olha para a criação e diz: “É bom”.

Esse é o primeiro convite do 7º dia:

Parar não como fuga, mas como consagração.
Parar para ver. Parar para nomear. Parar para abençoar.

A gente vive tão mergulhado na lógica do “fazer mais” que se sente culpado só de cogitar o descanso.
Mas, sem esse sétimo dia, tudo que você cria vira um ciclo sem alma:
meta → esforço → cansaço → cobrança → mais meta.

O 7º dia é o momento em que a vida sussurra:
“Chega. Agora não é hora de empurrar. É hora de contemplar, agradecer e confiar.”


O colapso da onda e o efeito Zeno da alma: por que você precisa soltar

Durante a live, eu trouxe um conceito da física quântica que muitos estudiosos usam como metáfora: o efeito Zeno. Em termos bem simples, ele diz que, se você ficar “medindo” um sistema quântico o tempo todo, você pode impedir que ele mude de estado. É como se a observação constante “congelasse” o movimento.

Traduzindo para a nossa vida:

  • Você planta um desejo.

  • Faz a sua parte.

  • Mas, em vez de criar espaço para a vida responder, começa a checar, checar, checar…

“E aí? Já deu certo?”
“Por que ainda não aconteceu?”
“Será que nunca vai vir pra mim?”

Essa checagem ansiosa cria um “efeito Zeno da alma”:
você diz que quer mudança, mas o seu estado interno congela a realidade no mesmo lugar.

Na live, eu dei dois exemplos bem simples:

1. A semente que não tem paz

Você coloca a semente na terra.
Se, a cada dia, cavar o solo para ver se ela já brotou, você impede a raiz de se formar.
Não falta luz, nem água. Falta confiança no processo.

2. A massa do pão que precisa descansar

Quem cozinha sabe: depois de sovar a massa, tem a hora do descanso.
Se você mexe na massa o tempo todo, se não respeita o tempo do fermento agir, o pão não cresce. Não é falta de esforço. É excesso de interferência.

O 7º dia é, espiritualmente, esse tempo do fermento.
É o dia em que você diz:

“Eu já fiz o que me cabia.
Agora eu descanso, acompanho de longe, e deixo a vida trabalhar junto comigo.”

Descansar aqui não é largar de mão.
É parar de sabotar o processo com ansiedade, controle e apego.


Deus descansa. Pais e mães, nem sempre…

Outra imagem forte que apareceu na nossa conversa foi a dos pais de filhos adultos.

Tem uma hora em que o filho entra no 7º dia da relação com os pais:
Ele já cresceu. Já pode responder por si. Já pode errar e aprender com os próprios passos.

Mas muitos pais e mães continuam vivendo como se ainda estivessem no “segundo dia”:
corrigindo, cobrando, dando orientações como quem segura a vida do filho no colo.

O problema não é aconselhar, nem colocar limite de vez em quando.
O problema é o peso.

Quando não sabemos entrar no nosso sétimo dia, continuamos tentando criar o mundo inteiro com as nossas mãos – inclusive a vida do outro. E isso cansa, adoece, aprisiona.

Entrar no 7º dia é, também, dizer:

“Eu te amo, mas eu te solto.
Eu te apoio, mas eu não te controlo.
Eu te acompanho, mas eu não te salvo.”


O número 7, o sabá e o altar do tempo

Na tradição judaica, o 7º dia é o Shabat (sabá): o dia do descanso sagrado.
Um tempo separado. Um tempo que não se negocia.

Não é só um dia sem trabalhar.
É um dia em que o tempo é vivido com outra qualidade de presença.

Durante a live, eu contei de um período muito delicado da minha vida, em que a dança de salão virou esse lugar sagrado para mim. No meio do luto, da dor, da reorganização interna, havia um compromisso que eu simplesmente não faltava. Chovesse, fizesse sol, eu estava lá.

Não era “só uma aula de dança”. Era o meu sabá pessoal: um pedaço de tempo consagrado à minha reconstrução.

Muitas mulheres que participam do Passos da Alma fazem a mesma coisa. Já ouvi relatos assim:

“Eu estou exausta, triste, cheia de problemas…
mas esse encontro eu não falto, porque sei que é aqui que vou respirar.”

Isso é altar do tempo.
É olhar para a própria agenda e dizer:

“Esse horário é sagrado para mim.
Esse encontro é inegociável.
Essa prática eu não abandono.”

O 7º dia te convida a escolher qual é o seu sabá:

  • Pode ser uma terça à noite num grupo terapêutico.

  • Pode ser uma manhã de domingo em silêncio com um caderno.

  • Pode ser uma caminhada semanal, uma aula de arte, um encontro com uma amiga da alma.

O que importa não é a forma.
É o compromisso: chova, faça sol, esse tempo me pertence.


Planejar também é consagrar: quando Cronos encontra Kairós

Talvez você tenha chegado até aqui pensando:
“Tá, mas o que tudo isso tem a ver com metas, planner, 2026?”

Tem tudo.

A gente aprendeu a planejar a partir do medo e do controle:

  • metas que mais cobram do que inspiram;

  • listas de tarefas que viram chicote;

  • agendas lotadas de coisas que não têm nada a ver com o que a alma deseja.

Quando eu criei o Planner Jornada da Alma – Do Caos ao Cosmos 2026, ele nasceu justamente do desejo de juntar duas coisas:

  • Cronos: o tempo do relógio, das datas, dos compromissos;

  • Kairós: o tempo sagrado, dos significados, da alma, da consagração.

Ele tem, sim, a parte “normal” de um planner: visão mensal, espaço para organizar a semana, área para hábitos. Mas isso é só a casca.

O coração do planner é o que eu chamei de “Chequinho da Alma”:

  • Todo mês, você pausa para olhar:
    – Como está o meu corpo?
    – Como está a minha mente?
    – Como estão minhas emoções, vínculos, afetos?
    – Como está a minha vida espiritual, meu sentido, meu propósito?

  • Em seguida, você escreve sobre o mês que se encerra:
    – O que tocou o seu coração?
    – Do que você é grata?
    – O que precisa ajustar para o próximo ciclo?

Isso é exatamente o movimento do 7º dia:
revisar, celebrar, aprender e consagrar o que vem.

Não é “deixar a vida me levar”.
É estar presente à própria vida, sem querer controlá-la como se tudo dependesse de você, nem abandoná-la como se nada dependesse.


O 7º dia como prática para 2026

Se eu pudesse resumir o mistério do 7º dia em um convite para o seu próximo ano, seria algo assim:

  1. Faça a sua parte com inteireza.
    Se envolva, estude, trabalhe, cuide, ame, se mobilize.

  2. Escolha um sabá na sua agenda.
    Um espaço de tempo inegociável em que você revisa, respira, sente, consagra.
    Sem culpa. Sem pressa. Sem justificativa.

  3. Solte o excesso de controle.
    Depois de lançar a intenção, não fique cavando a semente.
    Não mexa na massa o tempo todo.
    Acompanhe com amor, não com vigilância ansiosa.

  4. Transforme o tempo em altar.
    Use ferramentas (como um planner, um diário, rituais simples) para que o seu ano não seja só correria, mas também significado, presença e fé.

Porque, no fim das contas, criar o 2026 que você deseja e merece não é uma mágica externa.
É uma arte interna:

A arte de saber quando agir e quando descansar.
Quando insistir e quando confiar.
Quando planejar e quando consagrar.

Que o seu próximo ano seja atravessado por essa sabedoria do 7º dia.
E que, ao chegar em dezembro de 2026, você possa olhar para a própria vida e dizer, com verdade e amor:

“Eu fiz a minha parte.
E a vida também fez a dela.
Foi bom. Foi sagrado. Foi meu.”

Solicite um atendimento