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Dia 6 - "Quando o sonho ganha pele: a arte de assumir a autoria da própria vida"

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Artigo do 6º - 07/12/2025

Do Caos ao Cosmos: "Quando o sonho ganha pele: a arte de assumir a autoria da própria vida"

Texto de Márcia Christovam (Psicóloga e Neuropsicóloga)

 

Tem um momento na narrativa da Criação em que tudo aquilo que era só movimento interno, intuição, semente e possibilidade… ganha pele.

Até o Dia 5, a gente viu luz, separação das águas, terra firme, verde, sol, lua, estrelas, peixes, aves. É como se Deus tivesse preparado cenário, iluminação, trilha sonora e atmosfera.

No sexto dia, algo diferente acontece:
a vida ganha rosto, corpo, mãos e responsabilidade.

“Hoje é o dia da encarnação, é o dia de encarnar, de dar carne, de dar matéria, de dar potência na matéria.” 

É aqui que nasce a nossa palavra-chave: AUTORIA.

 

Do caos ao corpo: quando a gestação interna vem à luz

Se você olhar para trás, na nossa jornada:

  • Dia 0: Caos – coragem de olhar para o que dói.
  • Dia 1: Luz – consciência.
  • Dia 2: Águas separadas – discernimento.
  • Dia 3: Terra e verde – fundamento, enraizamento.
  • Dia 4: Sol, lua e estrelas – ritmo, ciclos, tempo da alma.
  • Dia 5: Aves e peixes – movimento, circulação, trocas.

Tudo isso foi gestação.

O Dia 6 é aquele instante em que a criança nasce.
O sonho que vivia dentro começa a pedir espaço fora.

“O sexto dia é o dia em que todo esse movimento interno, essa gestação, vem à luz enquanto matéria. Eu sonho, me inspiro, penso em algo… mas agora: o que eu vou fazer para dar forma a esse algo com o qual eu tô sonhando?” 

É o dia de olhar para a própria vida e perguntar, com honestidade e carinho:

“Que forma eu tenho dado à minha existência?”

Porque, gostando ou não, o mundo em que você vive hoje também é criação sua.

 

“Nós somos fruto da carícia de Deus”

Tem um detalhe lindo nessa narrativa que eu sempre volto:
tudo foi criado pela Palavra – “disse Deus: haja…” – menos o ser humano.

Quando chega a nossa vez, a imagem muda:
Deus molda, toca, faz com as mãos.

“Quando Deus cria o homem, ele vai lá e molda. É o fazer com as mãos. Nós somos fruto da carícia de Deus. Para todas as outras coisas foi o poder da palavra; mas, quando chegou o momento do homem, Deus não criou pelo poder da palavra, Ele fez com toque.” 

É por isso que o nosso corpo deseja toque, aconchego, abraço.
Somos lembrança viva de que viemos de um gesto cuidadoso.

E então vem a frase que atravessa séculos:

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.”

Ser imagem e semelhança não é ser perfeito.
É carregar dentro uma centelha divina, uma capacidade de criar, escolher e responder pelo que criamos.

“Ser imagem e semelhança não é ser perfeito, é carregar dentro de si a centelha divina. E essa centelha divina nos dá a liberdade de criar. Por isso o tema do nosso planner é ‘cocriando 2026’.” 

Quando eu reconheço essa centelha, eu saio do lugar da folha levada pelo vento e entro no lugar de quem arruma a mesa da própria vida.

 

Autoria: o que você coloca no mundo continua falando de você

Na live eu contei: um autor escreve de um jeito tão próprio que, mesmo que tirem o nome da capa, quem o conhece reconhece. O texto tem cheiro, ritmo, cadência daquele coração.

Autoria é isso.

“Aquilo que você faz é a sua imagem e semelhança. Vai reverberar no universo, mesmo na sua ausência, o seu DNA. (...) O dia de hoje é um dia de você criar algo que vai se tornar uma marca sua no mundo.” 

O que você cria – um trabalho, um projeto, uma casa, uma amizade, um jeito de falar com seus filhos – tudo isso carrega sua energia. Continua existindo quando você não está mais lá. Continua tocando pessoas que talvez você nunca veja.

Isso é muito sério. E, ao mesmo tempo, muito bonito.

Por isso, no sexto dia, a pergunta não é só:

“O que eu quero fazer em 2026?”

Ela é mais funda:

“Que marca minha eu quero deixar no mundo em 2026?”
“Que forma de viver eu quero que leve o meu nome, a minha energia, a minha assinatura?”

 

“Dominai”: gestão responsável, não terceirização

O texto bíblico diz que o humano recebe a ordem de “dominar” a criação. Muita gente escuta essa palavra e pensa em abuso, exploração, controle doentio.

Mas, do ponto de vista psicológico, esse “dominai” tem outro sabor:

“A palavra dominar não é no sentido de abuso. O domínio aqui é no sentido de uma gestão responsável. É um convite para que você cuide da sua criação, cuide de si mesma, cuide do que você vai produzir.” 

Gestão responsável significa parar de terceirizar a própria vida:

  • Não jogar para os filhos: “não realizei nada por causa de vocês”.
  • Não jogar para o parceiro, para os pais, para o governo, para o mapa astral.

“Em termos psicológicos, quando Deus diz ‘dominai’, é: assuma a direção da sua vida. Não terceirize pros outros, nem pro governo, nem pros astros. Pode haver influência, claro, mas não é isso que determina. Quem se posiciona por dentro atravessa melhor as crises de fora.” 

Autoria é isso:
reconhecer as circunstâncias, mas não se entregar a elas como se fossem destino absoluto.

Com o que eu tenho – e às vezes é pouco, às vezes é quase nada – o que eu posso criar?

“Com o que eu tenho, eu vou fazer o meu melhor e o meu melhor vai me levar além. Frutificar e multiplicar não é só biológico; é sobre os padrões que você espalha pelo mundo – de saúde ou de doença, de relações que nutrem ou drenam.” 

Em 2025, o que você espalhou?
E o que você quer espalhar em 2026?

 

Top 10 de 2025: reconhecer o “muito bom” da própria criação

No sexto dia, depois de criar o humano, o texto diz:

“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom.”

Eu te provoquei na live – e repito aqui:

“Eu te desafio a tirar um tempo essa semana para fazer uma listinha dos seus TOP 10 do ano. Quais são as coisas de 2025 das quais você se orgulha de ter feito por você?” 

Não é uma lista para se culpar.
É uma lista para se acariciar.

Autoria também passa por isso:
parar, olhar para o que você já construiu e dizer:

“Parabéns. Isso que você fez foi muito bom.”

Tem gente que acha feio se felicitar.
Confunde humildade com autoapagamento.

Mas humildade vem de humus: terra fértil.
Não é ser chão para os outros pisarem.
É ser chão onde sementes frutificam.

 

A escolha de com que vida você quer se casar

Se a gente trouxer a linguagem dos símbolos, o Arcano VI do Tarô – Os Enamorados fala exatamente desse lugar:
um humano no meio do caminho, diante de forças diferentes (instinto, desejo, consciência, ideal) tendo que escolher com que vida quer se casar.

E a 6ª sefirá da Árvore da Vida, Tiferet, é o coração, o Sol interno que integra alto e baixo, espírito e matéria, rigor e delicadeza.

Dia 6, carta VI e 6ª sefirá sussurram a mesma coisa:

“Não dá mais pra viver só reagindo. Chegou a hora de escolher, com o coração desperto, qual é a forma de vida que combina com a verdade da sua alma.”

Autoria é exatamente isso:

  • dizer “sim” para um tipo de trabalho e “não” para outro;
  • “sim” para um ritmo, e “não” para a agenda que te adoece;
  • “sim” para relações que falam com a sua essência, “não” para o que te desfigura.

 

Cocriar 2026: o planner como um laboratório de autoria

No fundo, tudo o que estamos fazendo nesses dias é preparar a terra para o plantio.

O planner terapêutico que acompanha essa jornada não é só um caderno bonitinho de metas. Ele é, como eu disse na live, um programa de mergulhos:

“Você vai comprar um planner, mas na verdade não vai comprar um planner. Você está comprando um programa terapêutico usando como recurso o kairós – esse tempo de sentido, esse tempo divino – para fazer com que o seu cronos, o tempo-relógio, renda melhor, flua melhor, te dê melhores resultados.” 

Cada ferramenta ali é um espelho para te ajudar a ver:

  • Que formas sua vida já tem hoje.
  • Que formas você quer multiplicar.
  • Quais precisam ser transformadas.
  • E quais você decidiu, com amor, encerrar.

 

A frase-abracadabra do Dia 6

Quero fechar esse artigo com a frase que sustenta toda a energia da Chave 6.
Leia devagar. Se quiser, escreva no planner, no espelho, na última página de 2025:

“Eu encarnarei o que sonho: assumo a autoria das formas que minha vida toma.”

Porque, no fim das contas, é isso:

  • Deus continua criando.
  • A vida continua se movendo.
  • O mundo continua acontecendo.

Mas existe um ponto, bem no meio disso tudo, em que você é convidada a dizer:

“Daqui pra frente, eu escolho.
Eu assino.
Eu respondo.
Eu crio, junto com a centelha divina que habita em mim, um 2026 que tenha a minha cara, a minha alma e a minha verdade.”

Se, enquanto você lia, algo doeu, lembre-se:
isso não é uma convocação à culpa, e sim ao despertar.

E, se perceber que algumas áreas estão pedindo ajuda mais profunda, procure apoio psicológico.
Autoria não é fazer tudo sozinha – é escolher, com responsabilidade, quem caminha ao seu lado.

Que o seu Dia 6 seja o começo de uma nova forma de existir no mundo.

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