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Chave 2: Separar as Águas e Criar um Lugar Habitável para a Alma

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Do Caos ao Cosmos – Chave 2: Separar as Águas e Criar um Lugar Habitável para a Alma

Este artigo nasce a partir da live “Abraçando o Caos para Crescimento Pessoal e Organização”, nosso encontro do Dia 2 da jornada Do Caos ao Cosmos – 7 Portais da Criação.
Se você estava lá, vai reconhecer algumas imagens; se não estava, eu quero que, ao terminar de ler, você sinta que ganhou uma chave inteira pra sua vida – e não só um resumo de live.

 

1. Fazer as pazes com o caos

Na abertura da jornada eu brinquei com a imagem da estrada reta demais. Aquela viagem longa em que não tem curva, não tem surpresa, não tem relevo: dá sono, dá tédio, dá vontade de desligar. A vida toda lisinha seria assim também: sem caos, sem rasgo, sem desvio… sem história.

O caos é desconfortável, claro. Mas é ele que nos dá contorno.
É no buraco, na curva, na freada brusca que eu descubro:

  • quem eu sou,
  • como eu reajo,
  • o que ainda preciso aprender,
  • que tipo de pessoa estou me tornando.

Então, antes de falar de “separar águas”, a gente precisa fazer um pequeno acordo interno:
parar de sonhar com uma vida sem caos – e começar a perguntar:

“O que eu vou fazer com o caos que existe?”

Dia 1 foi “Haja Luz”: acender a consciência sobre 2025.
Dia 2 é: “ok, agora que eu vi… o que é de cima, o que é de baixo e que limite eu vou criar entre essas águas?”

 

 

2. O segundo dia da Criação: um dia sem novidade (e isso é sagrado)

O texto de Gênesis diz:

“Haja um firmamento entre as águas, que faça separação entre águas e águas.”

E Deus separa as águas de cima das águas de baixo.
Repara numa coisa importante: no segundo dia Deus não cria nada “novo”.
Não tem bicho, não tem planta, não tem estrela.
Tem organização.

Antes de continuar criando, a narrativa divina nos mostra um Deus que:

  • para,
  • separa,
  • delimita,
  • firma um entre: o firmamento.

É quase um recado pra nós:

“Antes de inventar coisa nova, arrume o que já existe.
Antes de mais projeto, separe as águas.”

Nós somos muito apressados. Queremos logo a meta, a planilha, o produto, o relacionamento ideal pronto. Mas o Dia 2 da Criação é um lembrete amoroso:
hoje não é dia de criar mais nada, é dia de discernir.

 

3. Águas de cima, águas de baixo: ideal e real sem hierarquia

Quando rabinos, teólogos, filósofos e cabalistas falam dessas águas, eles costumam associar:

  • Águas de cima espiritual, sutil, valores, propósito.
  • Águas de baixo material, concreto, cotidiano, corpo, dinheiro, tempo.

Na nossa linguagem da jornada, eu chamei de:

  • Águas de cima
    tudo o que é mais sutil:
    valores, visão de vida, propósito, fé, intuições, aquilo que te puxa pra cima.
    É o “como eu quero viver?”, “em quem eu quero me tornar?”
  • Águas de baixo
    tudo o que é mais denso e concreto:
    agenda, dinheiro, corpo, rotina, emoções cruas, desejos imediatos.
    É “como eu estou vivendo hoje?”,
    “no que meu tempo e meu corpo estão sendo gastos?”

E o firmamento?

É o limite inteligente: as escolhas, acordos e decisões que conectam o ideal com o possível.
Sem firmamento, tudo vira um caldo emocional-mental onde nada se sustenta.

Muito importante:
não existe “mais importante” aqui.
Água de cima não é “santa” e água de baixo não é “profana”.
Você está num corpo, com boletos, relações, cansaços. Isso importa.
A questão não é escolher uma contra a outra.
A questão é discernir.

 

4. Inteligência emocional: separar o que se sente do que se faz

Quando a gente fala de água, a psicologia logo lembra das emoções.
Água é símbolo de afeto, de fluxo, de inconsciente.

No dia 2 eu trouxe o exemplo do trânsito:

  • alguém te fecha,
  • você leva um susto,
  • vem o medo, logo em seguida a raiva.

A emoção vem – isso não é negociável.
O que é negociável é o que você faz com ela.

  • Eu vou buzinar para descarregar raiva?
  • Vou perseguir o carro e entrar em risco?
  • Ou vou buzinar uma vez, só para avisar do perigo, e seguir?

Inteligência emocional é isso:
conseguir pensar sobre o que se sente e escolher a resposta.
É dia 2 puro:

“Esta emoção é medo? É proteção? É vaidade ferida?
E o que é saudável eu fazer com isso?”

É separar águas internas:

  • “Isto é meu gatilho”
  • “Isto é um limite real sendo ultrapassado”
  • “Isto é só ansiedade”
  • “Isto é um chamado verdadeiro pra mudar algo na minha vida”

Não é fácil, não é mágico, não é “orar que passa”.
É treino, é autoconhecimento, é terapia, é pausa.
Mas sem essa separação, nossas emoções viram uma enchente que arrasta tudo.

 

5. A Sacerdotisa: a guardiã do “entre”

No Tarô, essa energia do Dia 2 aparece na Carta II – A Sacerdotisa.

Ela está sentada entre dois pilares (B e J), diante de um véu.
Atrás dela, as águas do inconsciente.
Acima dela, a Lua – ciclos, marés, intuição.

Ela é a guardiã do entre:

  • entre o que sinto e o que faço,
  • entre o que é de cima (alma, propósito, valores)
    e o que é de baixo (rotina, medo, necessidade),
  • entre o que já posso revelar
    e o que ainda precisa ser gestado no escuro.

O véu atrás dela é um símbolo perfeito do Dia 2:

  • não é muro de concreto,
  • é tecido: separa, mas deixa filtrar.

É o tipo de limite que precisamos aprender a criar em 2026:

  • não um “não” agressivo que corta tudo,
  • mas um contorno amoroso que protege o que é sagrado.

Eu gosto de dizer assim:

“A Sacerdotisa nos ensina que nem tudo e nem todo mundo tem acesso a tudo em nós.
Separar as águas é também puxar um véu:
o que é público, o que é íntimo;
o que eu ofereço pro mundo e o que eu preservo pra nutrir minhas raízes.”

Pergunta pra levar pra vida:

  • Onde eu estou me expondo demais?
  • Onde eu me escondo demais?
  • Que véu saudável eu preciso colocar ou recolocar?

 

6. Marie Kondo, montes e a coragem de escolher o que fica

Na live eu trouxe a história de Marie Kondo e do método KonMari, porque ele é uma aula prática sobre separar águas.

O coração do método é:

  • juntar tudo de uma categoria num só monte (todas as roupas, por exemplo),
  • pegar peça por peça na mão e perguntar:
    “Isso me traz alegria?”
  • o que traz alegria fica;
  • o que não traz agradece e deixa ir (doa, vende, recicla).

Por trás disso, tem muita coisa acontecendo:

  • você confronta medos (“e se eu precisar disso?”),
  • culpas (“gastei dinheiro, não posso doar”),
  • identidade (“essa roupa ainda sou eu?”).

Não é sobre cabide, é sobre psique.
E tem um ponto que me toca muito na visão japonesa:
a casa como espaço sagrado, um power spot onde a energia precisa fluir.
Quando acumulamos coisas demais, o ambiente fica cheio de passado, de peso, de ruído.

Na nossa jornada, eu trouxe essa lógica pra vida inteira:

Em cada área da vida, fazer montes simbólicos – como as roupas da Marie Kondo –
e olhar com honestidade o que nutre, o que é neutro e o que te afoga.

Alguns exemplos:

  • Casa & objetos
    • o que sustenta a vida de hoje (útil, aconchega, representa quem você é agora),
    • o que só ocupa espaço,
    • o que te prende a histórias que já terminaram.
  • Tempo & agenda
    • compromissos que fazem sentido,
    • coisas necessárias mas negociáveis,
    • compromissos que te afogam (só culpa, só obrigação, zero alma).
  • Trabalho & projetos
    • projetos vivos,
    • projetos mornos,
    • projetos mortos que você arrasta por medo ou orgulho.

 

  • Relações
    • vínculos que nutrem,
    • relações neutras de convivência,
    • vínculos que te drenam, desqualificam, adoecem.
  • Corpo & hábitos, dinheiro & recursos, alma & espiritualidade, mundo digital
    tudo pode ser olhado assim:
    nutre, é neutro, ou me afoga?

Separar as águas aqui é dizer:

“Isso fica comigo em 2026.
Isso eu vou reduzir/ajustar.
Isso eu não quero mais levar.”

Dói? Dói.
Mas o alívio vem logo depois da decisão.

 

7. Sincronicidade e firmamento interno

Na live eu contei duas histórias:

  • a da geladeira que não cabia na casa (a falta de medir o espaço antes, a metáfora perfeita de quando a gente compra uma ideia, um compromisso, um projeto que não cabe na nossa vida),
  • e a do Cine Debate, quando eu joguei todos os projetos num “monte simbólico” para discernir o que ficaria para 2026 – e, no mesmo dia, o universo respondeu com pequenas “coincidências significativas” (gente confundindo o dia, gente avisando que não poderia ir).

Jung chamou isso de sincronicidade:
eventos que não são causais, mas parecem responder a uma pergunta interna.

Quando a gente se dispõe de verdade a:

  • olhar para os montes,
  • perguntar “fica ou vai?”,
  • separar águas com honestidade,

a vida começa a mandar pistas.
Mas a primeira parte é nossa:

“Eu preciso me colocar no movimento de discernir.
Eu preciso firmar dentro de mim:
isso é meu, isso não é mais.
Isso vai para 2026 comigo, isso fica em 2025.”

 

8. Separar não é romper: é dar espaço

Muita gente escuta “separar” e pensa em cortar, romper, abandonar.
Mas a chave do Dia 2 é mais sutil.

Separar é:

  • dizer: “isto pertence ao papel de mãe, isto pertence à mulher além da maternidade”;
  • dizer: “isto é energia que vai para o trabalho, isto é energia que guardo para o ócio, para os afetos”;
  • dizer: “isto é expectativa dos outros sobre mim, isto é desejo verdadeiro da minha alma”.

Não é jogar tudo fora.
É dar o espaço certo pra cada coisa.

Você pode continuar honrando pai e mãe sem carregar, para sempre, todos os modos de viver que eles te ensinaram.
Você pode continuar cuidando de alguém sem entregar 100% da sua energia e se extinguir no processo.
Você pode continuar amando alguém e, ainda assim, criar distância saudável de um padrão que te adoece.

Separar as águas é isso:

“De que lado dessa linha isso fica?
Em que medida isso pode permanecer?
O que precisa mudar de lugar ou de forma?”

9. Um pequeno roteiro pra você levar pra vida

Pra transformar tudo isso em prática, deixo um mini roteiro em 3 passos.
Pegue uma área da sua vida (trabalho, relação, corpo, dinheiro, espiritualidade ou mundo digital) e escreva:

1. Água de cima

  • Qual é a intenção mais alta dessa área na minha vida?
  • Que valores eu desejo viver aqui?
  • Que tipo de pessoa eu quero me tornar nessa área?

2. Água de baixo

  • Como está na prática hoje?
  • O que eu faço, repito e concretizo no meu dia a dia?
  • O que o meu tempo e o meu corpo estão entregando nessa área?

3. Firmamento

  • Onde ideal e real não conversam?
  • Que um limite concreto eu posso assumir em 2026 para aproximar um pouco a água de baixo da água de cima?

E então, escreva uma frase-resumo, tipo:

“Água de cima: eu desejo relações com mais verdade.
Água de baixo: tenho mantido vínculos que me machucam em silêncio.
Firmamento: em 2026, eu vou começar a dizer o que me fere, ainda que em pequenas frases, em vez de engolir tudo.”

Ou:

“Água de cima: quero uma mente mais calma.
Água de baixo: durmo rolando o feed por horas.
Firmamento: vou colocar limite de tempo nas redes e criar um horário fixo pra entrar e sair.”

E selar com a Abracadabra do Dia 2:

“Eu separo as águas da minha vida e crio espaço para o que importa.”

 

10. Cuidar da alma também é saber pedir ajuda

Organizar a casa, a agenda, os vínculos, os projetos… pode ser uma experiência libertadora – ou profundamente angustiante, dependendo de onde você está hoje.

Se só de pensar em:

  • abrir armário,
  • rever relações,
  • escolher projetos,
  • colocar limites,

você já sente um aperto, um desespero, uma tristeza muito grande, talvez não seja “só bagunça”.
Pode ser um pedido de ajuda mais profundo da sua psique.

Nesses casos, não é fraqueza buscar um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra.
Às vezes, antes de arrumar o guarda-roupa, a gente precisa cuidar do coração que está segurando essas roupas todas.

Separar as águas é um ato de amor consigo mesma.
É o jeito mais honesto de dizer pra sua alma:

“Eu quero que a minha vida seja um lugar habitável pra você.
Eu quero que 2026 não seja só mais um ano vivido no automático,
mas um ano em que o que eu acredito e o que eu faço começam, finalmente, a conversar.

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